Casais Brasileiros na Itália: Como Evitar Riscos Legais ao Unir Vidas, Patrimônios e Documentação
- Dra Andrea Zago da Cruz
- 3 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Mudar para a Itália é um passo emocionante para muitos casais brasileiros — seja iniciando uma vida nova, formalizando o relacionamento ou reorganizando a família em um novo país. Porém, junto com a mudança, surgem questões jurídicas importantes que muitas vezes são ignoradas. E é justamente aí que começam os problemas.
Neste artigo, você vai entender como proteger seu relacionamento, sua residência e seu patrimônio ao viver como casal na Itália — e quais cuidados jurídicos são indispensáveis para evitar riscos sérios no futuro.
🔹 1. Casamento, união estável e convívio de fato: não é tudo a mesma coisa
No Brasil, a união estável tem efeitos amplos e reconhecidos. Na Itália, conviventi di fatto (conviventes de fato) não têm as mesmas proteções automáticas.
Principais diferenças:
Casamento tem total reconhecimento e efeitos amplos.
Unione civile existe apenas para casais do mesmo sexo.
Convivenza di fatto exige registro e tem efeitos limitados.
A união estável brasileira não é automaticamente reconhecida na Itália.
⚠️ Resultado: muitos casais chegam à Itália acreditando que sua união estável garante direitos — mas descobrem que, na prática, não é suficiente para fins de residência, saúde, herança ou participação patrimonial.
🔹 2. Regime de bens: como funciona na Itália
Ao contrário do Brasil, onde o casal pode escolher entre vários regimes, a Itália adota um modelo mais simples:
Regimes disponíveis:
Comunione dei beni (comunhão de bens) – regime padrão
Separazione dei beni (separação de bens) – precisa ser declarado expressamente
Fondo patrimoniale – pouco conhecido, mas muito útil para proteção familiar
Se o casal casou no Brasil, é essencial verificar qual regime foi escolhido e se ele tem validade na Itália. Em alguns casos, será necessário:
Reafirmar o regime
Registrar a escolha
Ajustar documentos conforme a legislação italiana
Isso evita litígios futuros, especialmente em divórcios, sucessões ou aquisições de imóveis na Itália.
🔹 3. Visto, residência e cidadania por matrimônio
Casamento com cidadão italiano não dá cidadania automática.Há etapas importantes a seguir:
Obter o visto para reunificação familiar (se for necessário)
Solicitar o permesso di soggiorno per motivi familiari
Cumprir o tempo mínimo de residência legal
Passar pela avaliação dos requisitos legais, inclusive conhecimento da língua italiana (nível B1)
Além disso, o casamento também deve ser:
registrado corretamente,
transcrito na Itália,
atualizado em ambos os países em caso de divórcio.
🔹 4. Proteção patrimonial no Brasil e na Itália
Quem migra para a Itália muitas vezes mantém bens no Brasil:imóveis, empresas, investimentos, veículos.
Para evitar riscos, é essencial revisar:
regime de bens aplicável
testamento válido nos dois países
planejamento sucessório
eventuais acordos patrimoniais binacionais
Assim, o casal evita surpresas desagradáveis em casos de divórcio, falecimento ou litígios transnacionais.
🔹 5. Os erros mais comuns dos casais que se mudam para a Itália
❌ Não oficializar a convivência na forma italiana
❌ Não ajustar regime de bens
❌ Achar que a união estável brasileira basta
❌ Não avaliar impacto no visto e permesso
❌ Adiar a regularização dos documentos
❌ Misturar patrimônio Brasil–Itália sem estrutura jurídica adequada
Com informação correta e orientação profissional, tudo isso é evitável.
🔵 Conclusão
Viver na Itália como casal é maravilhoso — desde que esteja juridicamente protegido. A legislação italiana não é igual à brasileira, e isso pode causar problemas sérios se você não se preparar.
Se você está prestes a se mudar, já vive na Itália ou está prestes a oficializar a relação, este é o momento ideal para organizar tudo de forma segura.
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