Saída Definitiva do Brasil: Saiba o Que É, Como Fazer e Quais São as Vantagens e Desvantagens de Deixar de Ser Residente Fiscal
- Dra Andrea Zago da Cruz
- 17 de nov. de 2025
- 4 min de leitura

Se você está de mudança para outro país — seja para trabalhar, estudar, acompanhar a família ou viver novas experiências — precisa entender o que é a saída definitiva do Brasil e por que ela é tão importante para quem vai viver no exterior.
A maioria das pessoas nem imagina que, mesmo já morando há anos longe do Brasil, podem seguir sendo tratadas como residentes fiscais, o que pode trazer problemas no futuro. Para evitar isso, é essencial comunicar oficialmente sua saída à Receita Federal.
Neste guia completo, você vai entender:
O que é a saída definitiva do país
Quem é obrigado a fazer
Como preencher corretamente a declaração
Quais são as vantagens e desvantagens do procedimento
Vamos lá?
📌 O que é a Saída Definitiva do Brasil?
A saída definitiva do Brasil é um processo fiscal que serve para informar à Receita Federal que você não é mais residente fiscal no país, porque está passando a morar no exterior de forma permanente.
Esse processo é realizado em duas etapas:
Comunicação de Saída Definitiva (CSDP): realizada online até o último dia de fevereiro do ano seguinte ao da saída.
Declaração de Saída Definitiva do País (DSDP): entregue até o último dia útil de abril, substituindo a declaração anual de Imposto de Renda.
A partir desse momento, a Receita Federal passa a te considerar não residente e você não precisa mais declarar o Imposto de Renda como se estivesse vivendo no Brasil.
👤 Quem é obrigado a fazer a saída definitiva?
É obrigatório fazer a saída definitiva do país se você:
Deixou o Brasil para viver no exterior de forma permanente ou sem previsão de retorno;
Está fora do país há mais de 12 meses consecutivos;
Continua com CPF ativo e patrimônio no Brasil, mas não reside mais aqui;
Deseja evitar ser considerado residente fiscal e evitar problemas com o fisco brasileiro.
Quem não faz a saída definitiva continua sendo residente fiscal e sujeito às obrigações tributárias brasileiras — mesmo que hoje viva no exterior.
🔍 E se eu não fizer a saída definitiva?
A Receita Federal continuará te considerando um residente fiscal. Isso significa:
Cobrança de imposto sobre rendimentos que você recebe no exterior;
Multas por não ter entregue declarações anuais;
Problemas para movimentar contas e investimentos brasileiros;
Dificuldade para regularizar a situação no futuro.
Portanto, se você saiu do país e não fez a saída definitiva, ainda dá para regularizar, mas é possível que haja multa por atraso.
🧾 Como preencher a Declaração de Saída Definitiva (DSDP)
Se você já notificou a Receita com a Comunicação de Saída Definitiva (CSDP), chegou a hora de declarar oficialmente a saída. Veja o passo a passo:
Baixe o programa IRPF do ano-base referente à sua saída.
Crie uma nova declaração e escolha a opção “Declaração de Saída Definitiva do País”.
Informe seus dados, incluindo a data exata da saída.
Declare todos os rendimentos recebidos enquanto ainda era residente no Brasil.
Liste seus bens, direitos e dívidas existentes no momento da saída.
Finalize a transmissão da declaração.
✔️ Após isso, você passa a ser considerado não residente fiscal, o que modifica seu relacionamento com o sistema tributário brasileiro.
⚖️ Vantagens e Desvantagens da Saída Definitiva do Brasil
Como qualquer decisão importante, a saída definitiva tem impactos positivos e negativos. Veja os principais:
🌟 Vantagens
Fim da obrigação de declarar IR como residente: você não precisa mais enviar a Declaração de Imposto de Renda todos os anos.
Evita dupla tributação: não será cobrado imposto brasileiro sobre rendimentos obtidos no exterior.
Regulariza sua situação fiscal: evita problemas futuros com a Receita, incluindo multas e cobranças retroativas.
Flexibilidade para investimentos: você pode manter contas e investimentos no Brasil, mas regularizados como não residente.
Facilita a vida bancária e financeira no exterior, especialmente se o banco ou as autoridades locais necessitam comprovação de não residência.
🚫 Desvantagens
Você passa a ser tributado como não residente sobre rendimentos no Brasil, o que pode resultar em alíquotas maiores (por exemplo, 25% de IR sobre aluguel).
Alguns tipos de investimentos passam a ter restrições ou exigem conversão para não residente, como a conta-investimento.
Nem todos os bancos permitem a manutenção de contas de não residentes, exigindo migração ou encerramento.
Perde o direito a benefícios fiscais de residentes, como isenções ou deduções em investimentos ou vendas de imóveis.
Se quiser voltar a ser residente, terá que passar novamente pelo procedimento de alteração fiscal (o que inclui nova declaração).
📍 Resumo prático
Situação | Precisa fazer saída definitiva? |
Vai morar fora permanentemente | Sim |
Está fora há mais de 12 meses | Sim |
Tem CPF e patrimônio no Brasil, mas reside no exterior | Sim |
Vai para um intercâmbio ou viagem temporária | Não |
🛡️ Conclusão: A saída definitiva é sua aliada na vida fora do Brasil
Se você vai ou já está vivendo fora do Brasil em caráter permanente, não ignore a saída definitiva fiscal. Ela é fundamental para evitar pendências, multas e principalmente tributação indevida sobre seus rendimentos no exterior.
Não fazer esse procedimento pode custar caro no futuro — literalmente. Regularize sua situação e siga sua vida no exterior com mais tranquilidade fiscal.
Se você precisa de ajuda para preencher a declaração, entender como fica sua situação bancária ou até regularizar uma saída antiga, posso te orientar passo a passo.







Comentários